Promovendo o aprendizado através da robótica

26 de março de 2026

A robótica educacional tem ganhado espaço em escolas, universidades e centros de pesquisa como uma estratégia pedagógica capaz de integrar diferentes áreas do conhecimento e tornar o processo de aprendizagem mais ativo. No Laboratório de Pesquisa Allyson Amílcar Angelus (LAICA), projetos desenvolvidos têm demonstrado, na prática, como a robótica pode contribuir para a formação de estudantes em diferentes níveis de ensino.

Os estudos científicos recentes dialogam diretamente com os projetos realizados no LAICA. Entre esses trabalhos, está a pesquisa do psiquiatra norte americano William Glasser, que descreve os níveis de aprendizagem em sua análise intitulada “Como Aprendemos”, na qual afirma que a assimilação de conhecimento pode chegar a aproximadamente 80% quando são utilizadas metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem. 

Essa realidade também foi percebida em estudo publicado por pesquisadores do LAICA na revista “Brazilian Journal of Development”, que demonstra os impactos da robótica educacional no processo de aprendizagem, destacando aspectos cognitivos e metodológicos envolvidos nessa prática.

“Durante a participação nesses projetos, é possível observar uma evolução significativa no desenvolvimento dos estudantes. Essa evolução ocorre tanto no domínio das habilidades técnicas quanto no fortalecimento do trabalho em equipe, da autonomia e da capacidade de resolver problemas.” afirma o Professor João Moreno Vilas Boas, orientador da equipe de robótica e coordenador do LAICA

Dentre as diversas formas de aplicação, a robótica representa a execução de conceitos científicos e computacionais em situações reais de resolução de problema.

Integração entre diferentes áreas do conhecimento

A robótica educacional também se destaca pela interdisciplinaridade. Projetos desenvolvidos nessa área tendem a exigir a integração de conhecimentos de matemática, lógica, eletrônica e programação.

“Por meio da robótica, é possível ensinar diversos conteúdos curriculares. Um exemplo é o ensino de Geografia utilizando mapas, em que os estudantes precisam programar robôs para percorrer determinadas regiões, estados ou países com o objetivo de resolver um desafio. Assim, o robô torna-se um instrumento para a fixação do conteúdo da disciplina.” explica ainda o professor.

Essa combinação permite que conceitos teóricos sejam aplicados em situações concretas, aproximando o conteúdo acadêmico de desafios práticos. Além disso, a abordagem interdisciplinar favorece o desenvolvimento de habilidades como colaboração, criatividade e resolução de problemas complexos.

Pensamento lógico e estruturação de soluções

Um dos pontos centrais observados na pesquisa é o estímulo ao desenvolvimento do raciocínio lógico. Para que um robô execute uma tarefa, é necessário que o estudante organize uma sequência de instruções capazes de orientar cada movimento do sistema.

Esse processo envolve a criação de algoritmos, a organização de etapas e a antecipação de possíveis resultados. Na prática, isso significa que o estudante precisa compreender o problema proposto, estruturar uma solução e traduzi-la em comandos que possam ser interpretados pelo robô.

“Recebemos todos os nossos problemas como uma tarefa e vamos testando até chegar ao objetivo, buscando soluções por hardware ou software.” relata o bolsista do LAICA, Jessé Ferraz.

Esse tipo de atividade está diretamente relacionado às habilidades que envolvem análise de problemas, identificação de padrões e construção de soluções estruturadas.

Redução do déficit de aprendizagem

Outro aspecto destacado no estudo é a relação entre prática e retenção do conhecimento. Diferentemente de métodos exclusivamente expositivos, a robótica educacional propõe uma dinâmica em que o estudante participa ativamente do processo de aprendizagem.

Durante as atividades, os alunos montam estruturas, programam sistemas, testam hipóteses e ajustam estratégias quando os resultados não correspondem ao esperado. Esse ciclo de experimentação permite que o erro seja incorporado como parte do processo de aprendizagem, contribuindo para a consolidação do conhecimento.

“Ganhei diversas habilidades, principalmente em relação ao pensamento lógico, porque uma coisa é você aprender a programar só vendo na tela, outra coisa é você ver na prática o que a programação consegue fazer. Então, esse contato direto entre a programação e o mundo real foi muito importante” garante o bolsista do LAICA, Levi Resende. 

Segundo os pesquisadores do LAICA, os estudantes tendem a reter mais informações quando participam diretamente da construção das soluções, em comparação com situações em que apenas recebem o conteúdo de forma passiva.

Estratégia pedagógica 

Com o avanço das tecnologias digitais e o crescente interesse por metodologias ativas de ensino, a robótica educacional tem se consolidado como uma importante ferramenta no campo da educação tecnológica.

Experiências desenvolvidas em ambientes de pesquisa, como no LAICA, demonstram que a robótica pode contribuir para melhorar o desempenho dos estudantes em disciplinas técnicas e estimular o interesse por áreas relacionadas à ciência e à tecnologia.

Sobre o LAICA

O Laboratório Allyson Amílcar Angelus (LAICA) é um espaço de pesquisa do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), fundado em 2014, com atuação nos campi Natal – Central (CNAT), Natal – Zona Leste e Currais Novos. O LAICA desenvolve projetos nas áreas de Tecnologias Educacionais, Internet das Coisas (IoT), Sistema WEB, Robótica, Sistemas Embarcados e Jogos Digitais, promovendo pesquisa aplicada, inovação e formação de estudantes. Seu propósito é inspirar e preparar novas gerações para o futuro por meio da ciência e da tecnologia, conectando academia, mercado e sociedade. 

 

Texto: Tábata Dantas, bolsista de Pesquisa Allyson Amilcar Angelus (LAICA)